segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Retrospectiva V / ?

Um novo dia estava prestes a começar.
A noite que passara tinha decorrido dentro da normalidade, e até acordei mais cedo que o comum.
Tomei consciência do que se ia passar a seguir e pensei que era um crime ter que me levantar tão cedo para voltar à escola. Ia ser mais um dia de acumulação daquele magnífico material inútil.
Foi então que percebi que este dia estava em lista de espera já há algum tempo. Tinha consciência que ia ser um dia de novas emoções.
Tudo o que esperava, aconteceu, ou pelo menos quase tudo o que esperava.
Procurava aquela personagem mas ela não aparecia.
Eis que surge, por fim.
Muita coisa aconteceu. Muitas emoções foram vividas.
Que magnífica sensação.
Que terrível sensação.

Amanheci numa melancolia quase nocturna... A saudade dormente, nostalgia de tantos impulsos a entrar peito adentro quis gritar caminhos, corrê-los sem regresso e não mais voltar. Despertaram todas as palavras emaranhadas entre os dedos e sangrou a dor de um desejo vincado na pele; de um desejo viciado: devolve-me a serenidade no primeiro pensamento teu onde me avistares...
Acabei por compreender que escondo uma sombra vulnerável debaixo do meu olhar, a lágrima indelével de segredos gemidos, como se cada pestanejar tivesse a dor do silêncio que pulsa apertado entre o aquele coração e o meu.
Como é tão magnífico pensar naquilo.
Como é tão aterrorizante pensar nisto
Como é tão tudo pensar.

Lençóis brancos, a cor que o Amor ganha quando a consciência se rende. Desejo. Tu. A cama, o altar onde me perdia em lugares de ti, aquela paz onde acordam todas as fantasias. Chegavas-te a mim depois do sorriso, não sei o acontecia depois. O beijo forçava docemente o esquecimento. Chamavas-me como só tu sabes, as mãos à solta sorriam em silêncio, adivinhava-te os gestos mais do que me escutava a mim. Por vezes encontrava-te comigo quando abria os olhos, outras vezes, com ar de quem se demitira da vida, apenas eu e o sonho.
Por vezes ainda te encontro comigo, quando fecho os olhos.

Gostava de voltar a dizer que TE AMO, porque o disse tão poucas vezes, vezes de menos, como se não tivesse o direito de o pronunciar…
Alguma vez te disse, realmente?

Sei que mesmo que a vida não volte a dar-nos uma oportunidade, eu vou sempre pensar em ti. Em como teria sido ficar contigo.

Desculpa voltar a dizer isto, desculpa. Foi mais forte que eu.

Sou uma espécie de carta de jogar, de naipe antigo e incógnito, restando única do baralho perdido.
Não tenho sentido, não sei do meu valor e não tenho a que me compare para que me encontre
E assim, em imagens sucessivas em que me descrevo – não sem verdade, mas com mentiras – vou ficando mais nas imagens do que em mim.
Mas cessa a reacção, e de novo me resigno.
Volto em mim ao que sou, ainda que seja nada.
E alguma coisa de lágrimas sem choro arde nos meus olhos, alguma coisa de angústia que, acabou por não haver. Mas aí, nem sei o que chorava, se houvesse chorado, nem porque foi que o não chorei.
A ficção acompanha-me, como a minha sombra.
E o que quero é dormir.


____________Rui Santos__


3 comentários:

  1. Amor , Amor , Amor ..
    Rui, concordo com tudo o que dizes neste texto (:

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  2. Está mesmo bonito este teu post Rui...juro que gostei!

    Beijinhu, Rui*

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  3. Vese mesmo qe andas apaixonado Ruizinho, tanto amor'

    Gostei muito, tava muito fixe o texto


    Beijinho adriana

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