sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Armando de Oliveira Marques Mateus

30.Outubro.2009

Hoje foi um dia estranho.
Um conjunto de factores fizeram renascer em mim alguns sentimentos e memórias que julgava perdidas no tempo. No tempo em que algumas coisas não eram visíveis aos olhos daquele menino vulgar, fascinado com a promessa do jogo do Beira-Mar vs Sporting. Fascinado com a promessa de uma tarde de pesca.
Promessas essas que nunca vi realizadas. Promessas essas que jamais esquecerei. A vida foi cruel. Demasiado cruel.
A nove de Junho de dois mil e sete ele foi embora. Aquela notícia caiu em mim de uma forma inexplicável. Durante os dias que se seguiram, a Sonata para piano Nº 2 em si bemol menor, Op. 35, acompanhou-me incessantemente.
Hoje dou por mim a lamentar algumas coisas.
A falta da expressão verbal daquele sentimento que vivia dentro de mim, a falta da presença, em alguns momentos importantes. Não fui capaz de dizer o que sinto falta de lhe dizer.
Aquela forma de ser única. Aquele riso que me fazia rir. Aquelas "turras"...
O facto de ele saber o que acontece depois de passarmos por aqui, faz-me sorrir. Afinal ele sabe algo que todos nós queremos saber.
Onde quer que estejas, olha por mim.

AOMM

Rui Santos

2 comentários:

  1. "depois de mortos só somos aquilo que fomos"

    ResponderEliminar
  2. Apercebemo.nos que, no final de contas, não somos nada mas temos de ser tudo perante a sociedade, enquanto vivos, pois é algo que nos é exigido e imposto. E quando o nosso tempo de vida termina, deixamos de pertencer aqui, deixamos de fazer parte dessa sociedade, de ter de ser e parecer e passamos a pertencer ao mundo das memórias e das recordações.Tranformamo.nos, por fim num sentimento, a saudade.

    Carolina

    ResponderEliminar