Hoje foi um dia estranho.
Um conjunto de factores fizeram renascer em mim alguns sentimentos e memórias que julgava perdidas no tempo. No tempo em que algumas coisas não eram visíveis aos olhos daquele menino vulgar, fascinado com a promessa do jogo do Beira-Mar vs Sporting. Fascinado com a promessa de uma tarde de pesca.
Promessas essas que nunca vi realizadas. Promessas essas que jamais esquecerei. A vida foi cruel. Demasiado cruel.
A nove de Junho de dois mil e sete ele foi embora. Aquela notícia caiu em mim de uma forma inexplicável. Durante os dias que se seguiram, a Sonata para piano Nº 2 em si bemol menor, Op. 35, acompanhou-me incessantemente.
Hoje dou por mim a lamentar algumas coisas.
A falta da expressão verbal daquele sentimento que vivia dentro de mim, a falta da presença, em alguns momentos importantes. Não fui capaz de dizer o que sinto falta de lhe dizer.
Aquela forma de ser única. Aquele riso que me fazia rir. Aquelas "turras"...
O facto de ele saber o que acontece depois de passarmos por aqui, faz-me sorrir. Afinal ele sabe algo que todos nós queremos saber.
Onde quer que estejas, olha por mim.
AOMM
Rui Santos
"depois de mortos só somos aquilo que fomos"
ResponderEliminarApercebemo.nos que, no final de contas, não somos nada mas temos de ser tudo perante a sociedade, enquanto vivos, pois é algo que nos é exigido e imposto. E quando o nosso tempo de vida termina, deixamos de pertencer aqui, deixamos de fazer parte dessa sociedade, de ter de ser e parecer e passamos a pertencer ao mundo das memórias e das recordações.Tranformamo.nos, por fim num sentimento, a saudade.
ResponderEliminarCarolina