quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Mil pés de altitude

E assim vou vivendo. Subindo as ruas do passado olhando-as num longínquo pretérito mais que (im)perfeito e descendo as vielas do futuro, perspectivando as suas improbabilidades. 

Fazes-me voar. Deixas-me a mil pés de altitude.

Outra vez te revejo,
Com o coração mais longínquo, a alma menos minha.

Dentro de ti, olho a vida como um doce. Fora, é amarga.

Não creio que vá subir novamente aquelas ruas. De certo continuarei a desce-las até que o alcatrão me faça doer os calcanhares e, aí sim, pare de vez para voltar a sobrevoar-te e a perspectivar um futuro muito mais que perfeito.

É cinza a cor do nosso passado, tingida aqui e acolá com uma ténue mancha mais clara. Mas é cinza.


Outra vez te revejo, 
Sombra que passa através das sombras, e brilha
Um momento a uma luz fúnebre desconhecida,
E entra na noite como um rastro de barco se perde
Na água que deixa de se ouvir...

Outra vez te revejo,
Mas, ai, a mim não me revejo!
Partiu-se o espelho mágico em que me revia idêntico,
E em cada fragmento fatídico vejo só um bocado de mim -
Um bocado de ti e de mim!...


P.S.: Fazes-me muita falta.


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