As palavras escritas na tua mão, como dantes as respostas clandestinas do que aprendeste. Abre-a e deixa-me ver se não é “beija-me” que aí tens.
Eu sabia que me ias mostrar a fórmula resolvente para todos os problemas.
E os teus cabelos, ainda estão na mesma, lindíssimos e desprendidos? E os teus olhos, apesar das muitas imagens órfãs, ainda me lembram? E a tua boca e a tua voz, que nem sempre foi a que pensaste, ainda esvoaça com a certeza da vida achada?
Alguém me obrigou a estar aqui sentado, no degrau da noite, joelhos a tocar e sorriso impaciente, à espera do doce supremo que vai ser ver-te. Ao meu lado estão os sonhos antigos e um saquinho de palavras por abrir.
Desprotegido pelo tampo da mesa, o meu juízo vaza-se com o primeiro toque da tua perna. Sem querer, penso. Depois não. Depois acho que a leveza que empregas é fruto do acaso. Daquele que não compromete.
Os passos que dás, as vezes que mastigas, os olhos que fechas e que abres, os palpites.
Matemática aplicada. Mais o que me fascinas.
As vezes que inspiras.
Julgo que nunca te beijei como devia. Estou sempre à espera da ocasião mais certa como um cão que se revolta antes do deitar. Desperdiço por te saber à mão de semear tempestades de fulgor.
Colhido pelo futuro que te faz cada vez mais tentada.
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