terça-feira, 17 de novembro de 2009

Retrospectiva II

17.Novembro.2009

O dia foi longo. A noite, cada vez mais escura, avizinha-se.
Uma manhã de aulas normal, preencheu mais um pedacinho no canto do meu cérebro que se destina à acumulação daquele magnífico material inútil.
Volto para casa, fazendo planos daquela que iria ser a minha tarde. Saiu tudo trocado.
Tinha pensado em adiantar o trabalho que a professora de História tinha encomendado, e depois ir tomar um café, mas o sono tomou conta de mim e acabei por adormecer.
Quatro horas da tarde. Estou no Expresso com a Andreia. Tento ganhar coragem para fazer o trabalho, mas não me apetece. A tarde passou e foi agradável, muito agradável.
É noite.
Dou por mim preso a uma teia de pensamentos, de memórias, de factos.
Tudo me ocorre neste momento. Milhares de coisas viajam na minha cabeça.
Não gosto disto. Não gosto nada disto.
As velas que ardem no escuro, e o pau de incenso que é consumido pelo quente daquela ténue chama, despertam sentidos, lembranças de tempos passados.
Imagino-me a voar. Solto. Liberto de todas essas sombras que me assaltam o pensamento.


Sento-me e relembro.
A luz quente daquelas velas apaga a escuridão. Olho o meu pequeno mundo. Olho uma pequena flor e escuto um pequeno indicio de vida, um rumor de beleza. Vejo-me, neste momento, a tentar vencer a dureza das ideias solidificadas, da espessura dos hábitos que tanto me tranquilizam como me constrangem.
Tento ver a face oculta das coisas e ler aí a minha verdade perfeita. Mas não consigo. Tudo é demasiado inacessível, tudo se esquece cedo de mais.
Neste momento só a escuridão do meu mundo conhece a minha voz. E só esta voz quebra este silêncio de estalactites. Dizer isto é tão absurdo.
Continuo a sentir. Sinto nas vísceras a aparição fantástica das coisas, das ideias, dos pensamentos, das memórias, das lembranças. Sinto a aparição de mim.
Percebo que nada mais há na vida do que sentir o original. É aí que as palavras impenetráveis se instalam, como cinturões de aço, e onde a transacção de ideias nunca chega. Essas ideias ficam guardadas na algibeira. Ninguém as tira.
É aqui que te odeio. É aqui que te amo. É aqui que te digo que nada estava ainda escrito, porque tudo era novo e fugaz. Todas as horas inventadas em prol de coisa nenhuma, ou de tudo vagueiam no tempo, nas gotas de suor que escorrem quando tenho coragem para erguer a face.
É aqui que te odeio. É aqui que te amo.




11 comentários:

  1. O amor , o amor ..
    O teu segundo texto é uma definição de amor .. " é aqui que te odeio, é aqui que te amo " Esta frase já me acompanhou durante algumas fases da minha vida , sabes onde acabei? caminhos sem saida. Não odeis nem ames ou mesmo tempo pois o teu coração não sabe gerir os dois maiores sentimentos num coração. Mas agora pergunto-te, é preciso odiar pra amar? ;)

    P.S - As contradições trazem certezas !

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  2. Melhor e mais emotivo não podia estar.
    Dos sentimentos nasce a loucura. Da loucura nasce a acção. Das acções nascem as emoções.

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  3. Todo o sentimento, toda a emoção...
    Admiro-te Rui, admiro-te pela capacidade de transmitir, de refectir... de amar :)

    Admiro-te pela pessoa que és :)

    Carolina

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  4. Tu disseste e era bem verdade...o texto está mesmo espectacular, e não aborrece lê-lo porque a "música" é quase como uma onda que nos arrasta e faz desejar ler aquelas tuas palvras até ao fim...

    Parabéns Rui... parabéns pelo potencial que tens a escrever,e pela pessoa que és...a pessoa que se esconde atrás de um "rapaz rebelde que nao gosta da gafanha" mas que deixa aqui a prova que sabe sentir, que sabe amar e que sabe encarar a vida de uma forma como poucos a encaram...

    Beijinho Rui*

    Sofia*

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  5. ´muito bem escrito mesmo, está lindo :D
    beijinho*
    Milene

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  6. tipo... de facto a linguagem não fica atrás da nobel da literatura xD agora uma coisa é certa, este blogue está cada vez mais parecido com um diário, e os diários não são para ser públicos... a não ser que queiras ter um best seller, ahah xD

    Ass: Bruno

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  7. Está muito grande, confio nas opiniões nos demais comentadores :D

    Principalmente na do Bruno, ele é um grande senhor. E a Carolina... Pronto, enfim!

    Aperto de mão para o meu ex-colega de blog, o Rui!


    Mosca

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  8. Ah, e a "música" interferiu na minha -.-

    Mosca.

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  9. Adorei ruizinho'

    Realmente tiveste muito bem, tavas memo inspirado, ta muito fixe o texto, ve-se que consegues transmitir a toda a gente aqilo qe estavas a sentir naqele momento.

    Á e a música tava muito nice

    adorote Ruizinho, és uma pessoa espetacular*

    Adriana

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  10. Ruizinhoo!..

    As velas,.. as velas qe iluminam, as velas qe estao sempre laa.. até as velas qe se corta o paviu mas qe nao desaparem e ficam a enfeitar... :P
    Sabes uma coisa?, ainda bem qe ha sempre uma vela assim ao nosso lado.

    Obrigado por nao teres o paviu cortado e por nunca te apagares.. :P

    Toda a gente ja sabe qe tu tens jeito para escrever... admiro'te mt por conseguires transmitir os teus sentimentos em palavras. :D


    Gosto Muito De Ti, nnc te esqueças! (A)


    Beijinhuxh grandes Po D'arroz! **

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  11. Parabéns Rui,adorei este texto :) para além de estar bem escrito, mostra um lado teu mais sensivel e romântico, que desconhecia :b

    Continua assim , beijinhos da "Estrelaa" :D

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